Santo André / SP - domingo, 21 de dezembro de 2014

Tumores da Hipófise

 

     

    A glândula hipófise (ou glândula pituitária) é uma pequena estrutura localizada na base do crânio (atrás do nariz), sendo protegida por uma parte do crânio denominada osso esfenóide.  A hipófise normal é do tamanho e da forma de um feijão e é responsável por controlar e coordenar:

  • O crescimento e o desenvolvimento.
  • A função de diversos órgãos ( rins, mamas e útero).
  • A função de outras glândulas ( tireóide, gônadas e glândulas supra-renais).
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    Posição da Hipófise

    A hipófise desempenha estas funções liberando vários hormônios de sinalização que controlam as atividades de outros órgãos.

    A função da hipófise é semelhante a de um termostato. O termostato mede a temperatura e envia sinais para ativar ou desativar o aquecedor  mantendo a temperatura constante.

    A hipófise por sua vez é conectada e controlada pelo hipotálamo (uma região do cérebro).  O hipotálamo e a hipófise constituem o sistema neuroendócrino.

     

    A glândula pituitária (hipófise) tem duas partes distintas, a hipófise anterior e a hipófise posterior. Estas partes contêm diferentes células  liberando vários tipos de hormônios, portanto, são responsáveis por funções diferentes. A hipófise anterior é formada a partir do mesmo tecido da faringe (a parte superior da boca). A hipófise posterior se desenvolve a partir da porção inferior do cérebro, e está diretamente ligado ao hipotálamo.

     

    Regiões da hipófise

     

    A hipófise anterior representa cerca de 80 por cento da glândula, e é composta pelo lobo anterior e a zona intermediária. O lobo anterior é responsável pela maioria dos hormônios liberados na corrente sanguínea. Hormônios específicos incluem o hormônio do crescimento (GH), prolactina (PRL), hormônio estimulador da tireóide (TSH), hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), hormônio folículo estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH), hormônio estimulante de melanócitos (MSH) e endorfina (beta-END) .

     

    A hipófise posterior se desenvolve muito cedo na vida e não produz hormônio. Em vez disso, ela contém as terminações nervosas das células cerebrais (neurônios) localizados no hipotálamo. Esses neurônios produzem a vasopressina e a ocitocina que são depois transportados  até a hipófise posterior  através da haste hipofisária . São então armazenados para posterior liberação na corrente sanguínea.

     

    Anatomia da Hipófise

     

    Hipófise posterior

    Os axônios dos neurônios localizados no hipotálamo tem suas terminações na hipófise posterior. Nestas terminações são liberados hormônios (vasopressina e ocitocina).

     

    Adenomas hipofisários

     

    Adenomas hipofisários são tumores benignos (significando que eles não são cancerosos) que surgem dentro da hipófise anterior. Embora possa ser assustador  ter um tumor abaixo do cérebro, é importante notar que esses tumores não são agressivos, não são cancerosos e não são metastáticos (não se espalham para outras partes do corpo). Estes tumores são bastante comuns e representam cerca de 10-15 por cento de todos os tumores intracranianos. De longe é a doença mais comum que afeta a hipófise sendo normalmente  encontrada em pessoas na faixa dos 30  a 40 anos de idade. A maioria destes tumores pode ser tratada com sucesso.

     

    Tumores hipofisários podem variar de tamanho e comportamento. Tumores menores que 10 mm são chamados de "microadenomas" e muitas vezes secretam hormônios da hipófise anterior. Esses adenomas funcionantes são geralmente detectados mais cedo por causa do aumento dos níveis de hormônios. Este excesso  causa mudanças anormais no corpo. Aproximadamente 50 por cento dos adenomas hipofisários são diagnosticados quando eles são menores do que 5 mm de tamanho. Adenomas maiores que 10 mm (o tamanho de uma moeda de dez centavos) são chamados de "macroadenomas" e geralmente não secretam hormônios (adenomas não funcionantes). Estes tumores são descobertos freqüentemente quando  causam sintomas por compressão do cérebro ou de estruturas próximas (como alguns nervos cranianos).

    Em resumo podemos classificar os adenomas hipofisários de duas formas:

  • Conforme a produção de hormônios:
    • Funcionantes: São aqueles que produzem hormônios em excesso
    • Não funcionantes: São aqueles que não produzem hormônios
  • Conforme o tamanho:
    • Macroadenomas: Com 10 mm ou mais
    • Microadenomas: Menores que 10 mm 

    Os sintomas de um tumor da hipófise são geralmente resultado da disfunção do sistema endócrino. A disfunção pode ser uma superprodução de hormônios como  é o caso de acromegalia (gigantismo) pela produção excessiva do hormônio do crescimento (GH), ou o resultado da deficiência  de hormônios como no hipotireoidismo (TSH). Devido à sua localização estratégica dentro do crânio estes tumores podem comprimir estruturas cerebrais importantes  com o seu crescimento. A circunstância mais comum envolve a compressão do nervo óptico levando a uma perda gradual da visão. A perda visual geralmente começa com uma deterioração da visão periférica em ambos os lados (hemianopsia bitemporal).

     

    Quando se suspeita de um tumor da hipófise, testes endocrinológicos (dosagem dos hormônios no sangue e urina) e estudos de imagem do encéfalo (ressonância magnética  é o mais útil) são necessários. A campimetria visual  é também é uma parte importante da avaliação.

     

    O tratamento  inclui medidas conservadoras como a observação clínica acompanhada de exames seriados para avaliação do crescimento, tratamento com medicamentos específicos e cirurgia.

     Há duas principais abordagens cirúrgicas:

  1.  A abordagem trans-esfenoidal (uma abordagem que envolve fazer uma incisão na linha da gengiva superior ou na cavidade nasal e retirar o tumor através da base do crânio), ou
  2. Abordagem transcraniana (através da parte superior do crânio).
  3.  

     A abordagem trans-esfenoidal é normalmente o procedimento de escolha, por ser  menos invasivo, com  menos efeitos colaterais e os pacientes geralmente se recuperam mais rapidamente. Os pacientes muitas vezes podem sair do hospital quatro dias após a cirurgia. Em certos casos, o uso da cirurgia endoscópica (uma técnica que utiliza pequenos tubos de fibra óptica para visualizar o tumor) pode diminuir ainda mais o tempo de internação.